Módulo I

 

 

História do  Cristianismo

Igrejas Primitivas

 

AUTORIA  e  IMAGENS:  LASTHENIA  DE  ALENCAR

PERÍODO: Fortaleza, Setembro  de  2009.

 

Síntese  da  obra  de  ERNEST  RENAN (HISTORIADOR), sobre

“PAULO  O  DÉCIMO  TERCEIRO  APÓSTOLO”  ressaltando  a  história da igreja  primitiva.

 

 

   Se  você assim como  eu, deseja conhecer  um  pouco  da  história  desse  homem e  das  origens  das  igrejas primitivas,  nos acompanhe  nessa  leitura. Lembre-se  não  são  minhas estas  idéias,  são  parte  de uma  síntese  de  um  longo estudo  do autor. Ao  ler  fui   fazendo  anotações  e  pensei  que  seria  útil  dividi-las, compartilhar  com  outras  pessoas,  assim foi  se  tornado  este  longo  escrito. Acrescentei diversas fotografias  que  fiz  para  tornar  a  leitura  ainda mais  agradável.

 

Procurei colocar  os pontos  que  ao  meu  ver  sintetizavam  melhor  a  obra,  sem  omitir os  fatos  mais  relevantes. 

Este  conteúdo  pode  ser  lido  em  grupo, ou por você  individualmente, servindo de  fonte  de pesquisa,  de  formação.

Se  gostares  de  leitura, de estudo  aqui terás bons momentos.

 Me  encantou  a  forma  romanceada  do  autor,  a  maneira interessantemente   humana   como  coloca  os  fatos  por  ele  pesquisados  por  tantos  anos, que  nos  faz ver  esses  personagens  sobre  novo  olhar,  de  seres humanos  como  nós,  com  suas  lutas,  conquistas e dores.

Então  vamos  lá:

“Avaliando-se a  obra  de  Paulo, metade da Ásia  Menor  recebeu  a  semente  cristã, na  Europa, a  Macedônia  foi  profundamente conquistada, compreendendo  a  Grécia.  Se somar-se  a isto  a Itália,  de  Pouzolles  a  Roma, já sulcada  por  cristãos, ter-se-á  o quadro  das  conquistas  efetuadas  pelo  cristianismo  nos  16  anos  da  história  das  igrejas primitivas  aqui  relatadas.

A Síria, recebera  anteriormente  a  palavra  de  Jesus  e possuía igrejas organizadas.  Os progressos  da  nova fé  haviam sido  verdadeiramente  enormes.

Em  toda  a história,  é preciso  acautelarmo-nos  da ilusão  que  a  leitura das  epístolas  de  Paulo  e  dos  Atos  dos Apóstolos,  produz  segundo  essa  leitura, de levar-nos a  imaginar  conversões  em  massa, países  inteiros  passando a  crer  no  culto  novo.  Paulo,  que  frequentemente  nos  fala  de  judeus  rebeldes, jamais  fala  da  imensa  maioria dos  pagãos,  que  desconheciam  a  fé.  Os  primeiros  cristãos  viviam  tão  isolados  no  seu  círculo,  que não  sabiam quase  nada  do  mundo  profano.

 Considera-se  um  pais  evangelizado desde  que  o nome  de  Jesus aí  tivesse  sido  pronunciado  e  que  uma  dúzia  de  pessoas  se  tivessem  convertido.

Uma  igreja era frequentemente  constituída  por  doze  ou  quinze  pessoas. Talvez  todos  os  convertidos  de  Paulo  na  Ásia Menor, na  Macedônia  e na  Grécia  não  excedessem  mil.

A  Igreja  de  Corinto  devia  ser  bem  menor do  que  a  de  Éfeso, porque  não  constituía  mais  que  uma  ecclesia, a  qual se  reunia  inteira  numa  casa.  

Um  homem  contribuiu  para  a  rápida extensão  do cristianismo  mais do que  nenhum  outro; esse homem rasgou  a  espécie  de  tecido  grosso  e prodigiosamente  perigoso  com que  o cercavam  e  o apertaram  logo  após  o seu  nascimento; proclamou  que  o  cristianismo  não  era  uma  simples  reforma  do judaísmo, mas  sim  uma  religião  completa,  existindo por  si mesma,  Paulo.

As  igrejas  da Macedônia  e  da  Galácia  que  são  as  obras  próprias  de  Paulo, não  tem  grande importância  dos séculos II  e III.

 No  futuro Paulo  engrandecer-se-a  singularmente, torna-se-á o  doutor por  excelência,  o  fundador  da teologia  crista,  o verdadeiro  presidente  desses  grandes  concílios. 

Porém,  na  Idade Média,  principalmente  no  Ocidente,  a sua  obra  sofrerá  um  estranho  eclipse.  Paulo  nada  dirá  ao  coração  dos bárbaros;  não  terá  lenda  fora  de  Roma;  a cristandade  latina  pronunciará  o  seu nome  depois  do  de  Pedro.  Paulo,  na  Idade  Média,  perde-se de  certo  modo  no esplendor  de  São Pedro.  Este,  enquanto  movimenta  o mundo,  o faz tremer  e obedecer,  deixa  obscuro  São  Paulo,  desempenhar  um  papel secundário  na grande  poesia  cristã, que  enche  as  catedrais  e  inspira  os  cantos  populares.

 Quase  ninguém,  antes  do  século XVI se  recorda  do  seu  nome, aparece  apenas  nos  monumentos figurados; não  tem devotos, não  lhe  edificam igrejas, não  lhe  acendem  velas.

Os  que  os  cercavam, não  encontram lugar  no  culto público,  em  especial  os  latinos.

Paulo  era  quase  antipático  a  consideração  popular  e  talvez demasiadamente conhecido  pela  história, para  que  se pudesse formar  em  volta  da  sua  cabeça  a  auréola  das  fábulas.

 Para  ter  lenda  é  preciso  ter  falado  ao coração  do  povo; ter  impressionado  as  imaginações. Falai-me de  Pedro, que  faz  curvar  a  cabeça  dos  reis, pisa  sobre  a  serpente  e  o basilisco,  e  tem  as  chaves  do  céu.

A reforma  abre  para  Paulo uma  era  nova  de  gloria  e  de autoridade.  O  próprio  catolicismo  chega , por  estudos  mais  desenvolvidos  que  os  da  Idade Média, a  idéias  muito  precisas  sobre  o apóstolo  dos  gentios.

A partir  do  século XVI,  o  nome  de  Paulo  propaga-se  por  toda  a  parte.

Roma eleva  Paulo  a  um  pedestal  quase igual  ao  de  Pedro.

Se  torna  o santo  do  povo.

 Que lugar  lhe  dará  a crítica?

 Que categoria  lhe  assinará  na  hierarquia dos  que  serviram  o ideal?

Praticando  o bem  serve-se  o ideal.

 O que  foi  Paulo?  Não  foi um  santo.

Não  é  a  bondade  o  traço  dominante do  seu  caráter.

 Foi  altivo, áspero, defendia-se,  afirmava-se;

dizia  palavras  duras; acreditou  ter absolutamente razão; foi  volúvel;  é  intransigente  nas suas  opiniões;  encontra-se  a cada  passo  envolvido  em  intrigas  com várias  pessoas.

Não foi  um  sábio, pode  dizer-se  que  ofendeu  muito  a  ciência  pelo  seu  desprezo  paradoxal  da  razão; nunca  foi  um  poeta.

Que  foi  ele  então?

Paulo  foi  um  homem  de  ação, uma alma  forte,  avassaladora, entusiasta,  um conquistador,  um  missionário, um  propagandista.

O personagem  histórico  que mais  semelhança  apresenta  com  Paulo  é  Lutero.  Em  um  ou  em  outro  existe  a  mesma  violência na linguagem,  a mesma  paixão,  a  mesma  energia,  a  mesma  nobre  independência.

 O  filho  de  Deus,  Jesus  é  único.

Surgiu  como  um  cometa, lançou  uma luz  doce  e  profunda,  morreu  muito  jovem:  é  esta  a vida  de  um  deus.

Lutar, disputar, vencer:  é  esta  a  vida  de   um  homem.”