Síntese
da obra de ERNEST RENAN
(HISTORIADOR), sobre
“PAULO
O DÉCIMO TERCEIRO
APÓSTOLO” ressaltando
a história da igreja primitiva.
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" Desde a
dominação romana ,Tessalônica
tornara-se um dos portos
mais comerciais do mediterrâneo.
Era uma
cidade muito rica e povoada.
Possuía uma
grande sinagoga, que servia de
centro
religioso ao judaísmo
de Filipos, de
Antípolis
e de Apolônia, que
não tinham oratórios.
Paulo durante
três
sábados consecutivos falou na
sinagoga.
Alguns judeus se
converteram; mas as conversões foram
numerosas, sobretudo
entre os gregos "tementes a Deus".
As mulheres
surgiam em grande quantidade.
O que
havia de melhor na sociedade
feminina de
Tessalônica guardava o
sábado e as
cerimônias judaicas; a elite destas
piedosas damas
acorreu aos novos pregadores.
Muitos pagãos
converteram-se também.
A igreja de
Tessalônica irá competir, em breve, com
a de Filipos
em piedade, em
atenções delicadas
para com
os apóstolos.
Paulo não
dispendeu
em nenhuma outra parte tanto
entusiasmo, tanta
ternura e graça.
Estima-se que em
nenhuma
parte, como em Tessalônica,
Paulo conseguiu
realizar com tanto
êxito seu ideal .
A
população a que
se dirigia era
composta sobretudo de
trabalhadores. Essa
igreja tornara-se um verdadeiro
modelo que
Porém, a policia
não se importa muito com a filosofia .
Paulo resolveu partir deixando Silas e
Timóteo na Macedônia, partiu com os bereenses
pelo mar.
Assim terminou esta
brilhante missão da Macedônia, a mais fecunda
de todas as que Paulo tinha até então
realizado.
As igrejas
compostas de elementos inteiramente novos
estavam fundadas.
Estas nobres igrejas
de Filipos e de Tessalônica, constituídas por
mulheres destacadas de cada cidade eram, as
duas mais belas conquistas que o cristianismo,
até esse tempo ,realizara.
A mulher judia tinha
sido ultrapassada, submissa, modesta, obediente, tomando
poucas vezes parte do culto, a judia
não se convertia muito. A grega era a que mais
se impressionava com as coisas celestes. A mulher
grega foi a segunda fundadora da fé cristã.
Depois das mulheres
da Galiléia, que seguiam Jesus e o serviam,
Lídia, Febe, as piedosas damas esquecidas de
Filipos e de Tessalônica, são as verdadeiramente
santas a quem a nova fé deve os
seus mais rápidos progressos."
Paulo gosta de
mencionar. Entre os notáveis da igreja, além
de Jasão (Jesus), estavam Caio, Aristarco e
Secundo.
O que
havia ocorrido vinte vezes, aconteceu também lá,
os judeus descontentes, fizeram manifestações. Prenderam
Jasão e alguns fiéis. Foram acusados
de revolucionários, contra os éditos do
imperador. Depois foram soltos.
Os irmãos
levaram Paulo e Silas para a Beréia."
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"Os judeus de Beréia eram
mais liberais e mais educados do que
os de Tessalônica, escutaram os apóstolos, deixando-os
expor suas idéias na sinagoga. Muitos
converteram-se entre os quais um judeu
chamado Sópatro.
Mas as mulheres, como em todas
as outras igrejas, estavam em maioria, as
convertidas pertenciam a raça grega ,mesmo
sem serem judias, praticavam as cerimônias do judaísmo.
A tempestade veio de
Tessalônica. Os judeus informados que Paulo pregava
com êxito em Beréia, foram para lá,
onde repetiram a trama. Paulo foi obrigado
a partir, sem Silas. Para Paulo tornava-se
impossível permanecer na Macedônia.
Ele via-se escorraçado de
cidade em cidade, nascendo as manifestações, debaixo
dos seus pés.
Bastam alguns fanáticos para privar
um cidadão das suas liberdades.
Porém, a policia não se
importa muito com a filosofia . Paulo resolveu
partir deixando Silas e Timóteo na Macedônia,
partiu com os bereenses pelo mar.
Assim terminou esta brilhante
missão da Macedônia, a mais fecunda de
todas as que Paulo tinha até então
realizado.
As igrejas compostas de elementos
inteiramente novos estavam fundadas.
Estas nobres igrejas de Filipos
e de Tessalônica, constituídas por mulheres
destacadas de cada cidade eram, as duas
mais belas conquistas que o cristianismo, até
esse tempo ,realizara.
A mulher judia tinha sido
ultrapassada, submissa, modesta, obediente, tomando poucas
vezes parte do culto, a judia não se
convertia muito. A grega era a que mais se
impressionava com as coisas celestes. A mulher
grega foi a segunda fundadora da fé cristã.
Depois das mulheres da
Galiléia, que seguiam Jesus e o serviam, Lídia, Febe,
as piedosas damas esquecidas de Filipos
e de Tessalônica, são as verdadeiramente
santas a quem a nova fé deve os
seus mais rápidos progressos."
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"Sempre acompanhado dos
fiéis bereenses Paulo embarcou em diração a
Atenas. A Grécia não se restabelecera ainda
dos golpes que a tinham ferido nos
últimos séculos. Apenas Atenas e Corinto sobreviviam.
Corinto atraia a todos. O
número de judeus fora de Corinto era
insignificante.
Os antigos cultos estavam
ainda imperando. Paulo solicitou a Silas e
a Timóteo que viessem ao seu encontro
o mais depressa possível.
Atenas era uma coisa única
no mundo, era completamente diferente do
que Paulo tinha visto. O seu embaraço foi
extremo. Paulo viu todos os monumentos sem que a sua
fé se sentisse abalada. O seu espírito,
diz o seu biografo, agastava-se consigo
quando via a cidade cheia de ídolos. “Ah!
belas e puras imagens, verdadeiros deuses e
verdadeiras deusas, tremei; eis aqui aquele que
levantará o martelo contra vós. Está pronunciada
a palavra fatal. Sois apenas ídolos; o erro desse
pequeno e feio judeu é a vossa sentença de
morte.”
Duas coisas impressionaram o
apóstolo, o caráter altamente religioso dos atenienses
que se manifestava por uma enorme
quantidade de templos, de altares, de santuários; em segundo
lugar, certos altares anônimos ou erguidos
a deuses desconhecidos, que eram muito
numerosos em Atenas e nas suas proximidades. Estes
altares " a um deus desconhecido" deviam a sua
existência ao escrúpulo dos atenienses em matéria
religiosa e ao seu hábito de, em
qualquer objeto, ver a manisfestação de um
poder misterioso, pois receando ofender, algum deus de
que ignorassem o nome ou desprezar um deus
poderoso ou ainda querendo obter um favor
que podia depender de determinada divindade que não
conhecessem, construíam altares anônimos."
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"Paulo ficou muito
impressionado com as inscrições nos altares
a um deus desconhecido. Interpretando-as com o
seu espírito judáico, supôs-lhe um sentido
que não tinham. Acreditou que se tratava
de um deus chamado " o Deus desconhecido",
vendo nele o deus dos judeus, o deus único.
As cidades em que
Paulo tinha pregado até então eram
cidades industriais em grandes judiciárias,
cidades de todo mundo e de pouca
cultura e não centros brilhantes.
Atenas era profundamente pagã.
Paulo hesitou muito. Timóteo chegou enfim
da Macedônia; Silas não pudera vir. Só então
Paulo resolveu agir.
Havia uma sinagoga em
Atenas e nela Paulo falou aos judeus
e às pessoas "tementes a Deus" , mas
numa cidade como Atenas, só êxitos de
sinagoga não significavam nada. Assim procurou
falar na cidade, não como pregador, mas como
estrangeiro que se insinua espalhando timidamente
a sua idéia e procurando algum ponto de
apoio. O resultado foi medíocre.
Jesus e a ressurreição
(anastasis) eram palavras estranhas , sem nenhum
significação em Atenas. Muitos chegaram a
considerar a palavra Anastasis sendo um nome de
deusa, e acreditaram que Jesus e Anastasis
eram um novo casal divino, que estes
sonhadores orientais vinham divulgar. Esse primeiro
contato do cristianismo com a filosofia
grega não gerou grandes resultados."
...
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"Os motivos que deviam gerar
a prosperidade do cristianismo, não deviam residir
nos centros dos letrados e sim no coração das
piedosas mulheres, nas aspirações íntimas dos pobres, dos
escravos, dos sacrificados de toda a
espécie. Para que a filosofia se aproxime
da nova doutrina, deverá a filosofia tornar-se
mais simples. Muito tempo terá de passar para uma
tal aliança e não será em Atenas que
ela se realizará.
Atenas estava menos apta do
que o necessário para receber o cristianismo. Em uma
sociedade completamente diversa daquela em que tinha
vivido até ali, em meio de retóricos e de
professores de esgrima, Paulo encontrava-se
perdido. O seu pensamento voltava sem cessar para
as suas estimadas igrejas da Macedônia e da
Galácia, onde encontrara um tão grande
sentimento religioso. Diversas vezes pensou em voltar para
Tessalônica.
Paulo recebera a notícia de
que a fé da nova igreja estava
sofrendo grandes provações; receou que cedessem
às tentações, mas ele não poderia ir, enviou
Timóteo a Tessalônica para confirmar, exortar e
consolar os fiéis e ficou sozinho em Atenas.
Empenhou-se em seu trabalho, mas
o avanço era muito lento e difícil. O
espírito dos atenienses era completamente o oposto dessa
disposição religiosa, enternecida e profunda, que levava
as conversões e predestinava para o cristianismo.
As terras verdadeiramente helênicas eram impermeáveis
para a doutrina de Jesus. Plutarco, que viveu
numa atmosfera totalmente grega, não teve dela (
a doutrina) nenhum reconhecimento na primeira
metade do século II."
....
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"O grego ruim que
Paulo falava, a sua frase incorreta e hesitante, eram
um empecilho em Atenas; os filósofos voltaram as
costas. "È um pregador de novos deuses,
diziam uns, nenhum previra que um dia este
"tonto" os suplantaria e que 474 anos depois
as suas cátedras haviam de ser eliminadas
por inúteis e prejudiciais ,em virtude do sermão
de Paulo.
Vaidosos da sua superioridade,
os filósofos de Atenas desdenhavam as
questões da religião popular. Ao lado deles
a superstição florescia; a elite dos pensadores
pouco interessava-se pelas necessidades sociais.
Um tal descaso encontra sempre, algum dia, a
devida punição.
Quando a filosofia declara que
não se ocupa da religião, a religião responde-lhe
abafando-a, e é um fato natural, pois a filosofia
não é nada se não aponta à humanidade
o seu caminho, se não leva a sério o
problema infinito, que é igual para todos.
Nem judeus, nem pagãos
tentaram nada contra Paulo. Em outros lugares, a
nova doutrina produziu uma reação imediata,
pelo menos nos judeus, aqui ela não encontraria
ouvintes curiosos e comovidos.
Acredita-se que um dia, o
levaram ao Aerópago e convidaram a explicar
que religião pregava. O aerópago fora sempre o
corpo aristocrático de Atenas."