Módulo VI

 

 

História do  Cristianismo

Igrejas Primitivas

 

AUTORIA  e  IMAGENS:  LASTHENIA  DE  ALENCAR

PERÍODO: Fortaleza, Setembro  de  2009.

 

Síntese  da  obra  de  ERNEST  RENAN (HISTORIADOR), sobre

“PAULO  O  DÉCIMO  TERCEIRO  APÓSTOLO”  ressaltando  a  história da igreja  primitiva.



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" Desde  a  dominação  romana ,Tessalônica tornara-se um  dos  portos  mais comerciais  do  mediterrâneo. Era  uma  cidade  muito  rica  e  povoada. Possuía  uma  grande  sinagoga, que  servia  de  centro  religioso  ao  judaísmo  de  Filipos, de  Antípolis  e  de  Apolônia, que  não  tinham  oratórios.

Paulo durante  três  sábados consecutivos  falou  na  sinagoga.

Alguns  judeus se  converteram; mas  as conversões foram numerosas,  sobretudo  entre os gregos "tementes  a  Deus".

As  mulheres  surgiam  em  grande  quantidade.  O  que  havia  de  melhor  na sociedade  feminina  de  Tessalônica  guardava  o sábado  e  as  cerimônias  judaicas; a elite  destas piedosas  damas  acorreu  aos  novos  pregadores. Muitos  pagãos  converteram-se  também.

A igreja  de  Tessalônica irá competir, em breve, com  a  de  Filipos  em  piedade, em  atenções  delicadas  para  com  os  apóstolos.

Paulo não  dispendeu  em  nenhuma  outra parte  tanto  entusiasmo, tanta  ternura  e  graça.

Estima-se  que  em nenhuma  parte,  como  em  Tessalônica, Paulo  conseguiu  realizar  com  tanto  êxito  seu  ideal .

A  população  a  que  se  dirigia  era  composta  sobretudo  de  trabalhadores.  Essa  igreja  tornara-se  um  verdadeiro  modelo  que

Porém, a  policia  não  se  importa muito  com  a  filosofia . Paulo  resolveu  partir  deixando  Silas  e  Timóteo  na Macedônia, partiu com  os  bereenses  pelo  mar.

Assim terminou esta  brilhante  missão  da  Macedônia, a mais  fecunda  de  todas  as  que  Paulo tinha  até  então  realizado.

As  igrejas  compostas  de  elementos  inteiramente  novos  estavam  fundadas.

Estas nobres igrejas  de  Filipos  e  de  Tessalônica, constituídas  por mulheres  destacadas  de cada  cidade  eram, as  duas  mais  belas  conquistas  que  o cristianismo, até  esse  tempo ,realizara.

A mulher  judia tinha  sido  ultrapassada, submissa, modesta, obediente, tomando  poucas  vezes  parte  do  culto, a  judia  não  se  convertia  muito.  A grega era  a  que mais  se  impressionava com  as  coisas  celestes. A mulher  grega  foi  a  segunda  fundadora  da  fé cristã.

Depois das  mulheres  da  Galiléia,  que  seguiam  Jesus  e o serviam, Lídia, Febe, as  piedosas  damas  esquecidas  de  Filipos  e  de  Tessalônica, são  as  verdadeiramente  santas  a  quem  a  nova  fé deve  os  seus  mais  rápidos  progressos." 

Paulo  gosta  de  mencionar. Entre  os  notáveis  da igreja,  além  de  Jasão (Jesus), estavam  Caio, Aristarco  e  Secundo. 

 O  que  havia  ocorrido  vinte  vezes, aconteceu  também  lá, os judeus  descontentes, fizeram  manifestações. Prenderam  Jasão  e  alguns  fiéis.  Foram  acusados  de  revolucionários, contra  os  éditos  do imperador.  Depois  foram  soltos.

 Os  irmãos  levaram  Paulo  e Silas  para  a Beréia."

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"Os judeus  de  Beréia eram  mais  liberais  e  mais  educados  do  que  os  de  Tessalônica, escutaram os  apóstolos, deixando-os  expor  suas  idéias  na sinagoga.  Muitos  converteram-se  entre  os  quais  um  judeu  chamado  Sópatro.

Mas as mulheres, como  em  todas  as  outras igrejas, estavam  em  maioria,  as  convertidas  pertenciam  a  raça  grega ,mesmo  sem  serem judias, praticavam  as cerimônias  do  judaísmo.

A  tempestade  veio  de  Tessalônica. Os judeus  informados  que  Paulo pregava  com   êxito  em  Beréia, foram  para  lá, onde  repetiram  a  trama.  Paulo  foi obrigado  a  partir, sem  Silas.  Para  Paulo  tornava-se  impossível  permanecer  na  Macedônia.

Ele  via-se  escorraçado  de cidade  em  cidade, nascendo  as  manifestações, debaixo dos seus pés. 

 Bastam alguns fanáticos  para privar um  cidadão  das suas liberdades.

Porém, a  policia  não  se  importa muito  com  a  filosofia . Paulo  resolveu  partir  deixando  Silas  e  Timóteo  na Macedônia, partiu com  os  bereenses  pelo  mar.

Assim terminou esta  brilhante  missão  da  Macedônia, a mais  fecunda  de  todas  as  que  Paulo tinha  até  então  realizado.

As  igrejas  compostas  de  elementos  inteiramente  novos  estavam  fundadas.

Estas nobres igrejas  de  Filipos  e  de  Tessalônica, constituídas  por mulheres  destacadas  de cada  cidade  eram, as  duas  mais  belas  conquistas  que  o cristianismo, até  esse  tempo ,realizara.

A mulher  judia tinha  sido  ultrapassada, submissa, modesta, obediente, tomando  poucas  vezes  parte  do  culto, a  judia  não  se  convertia  muito.  A grega era  a  que mais  se  impressionava com  as  coisas  celestes. A mulher  grega  foi  a  segunda  fundadora  da  fé cristã.

Depois das  mulheres  da  Galiléia,  que  seguiam  Jesus  e o serviam, Lídia, Febe, as  piedosas  damas  esquecidas  de  Filipos  e  de  Tessalônica, são  as  verdadeiramente  santas  a  quem  a  nova  fé deve  os  seus  mais  rápidos  progressos."

 

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"Sempre acompanhado  dos  fiéis  bereenses  Paulo embarcou  em  diração  a  Atenas.  A  Grécia  não se  restabelecera  ainda  dos  golpes  que  a  tinham  ferido  nos  últimos  séculos. Apenas  Atenas  e  Corinto  sobreviviam.

Corinto atraia  a  todos.  O  número  de judeus  fora  de  Corinto  era  insignificante.

  Os  antigos cultos  estavam  ainda  imperando. Paulo  solicitou  a  Silas  e a  Timóteo  que viessem  ao  seu  encontro  o  mais  depressa  possível.

Atenas  era  uma coisa  única no  mundo, era  completamente  diferente  do  que  Paulo  tinha visto. O seu  embaraço  foi extremo.  Paulo viu todos  os monumentos sem  que a sua  fé  se  sentisse  abalada.  O  seu  espírito,  diz  o seu  biografo,  agastava-se  consigo  quando  via  a  cidade  cheia  de ídolos. “Ah! belas  e puras  imagens, verdadeiros  deuses  e  verdadeiras  deusas, tremei; eis  aqui  aquele  que levantará  o martelo  contra  vós.  Está pronunciada  a  palavra  fatal. Sois  apenas  ídolos; o erro desse  pequeno  e  feio  judeu  é  a vossa sentença  de morte.”

 Duas coisas  impressionaram  o apóstolo,  o caráter altamente  religioso  dos atenienses que  se  manifestava  por uma  enorme  quantidade  de  templos, de altares, de  santuários; em  segundo lugar, certos  altares  anônimos  ou  erguidos  a  deuses  desconhecidos,  que  eram muito  numerosos  em  Atenas  e  nas  suas proximidades. Estes altares " a um  deus desconhecido" deviam  a sua existência  ao  escrúpulo  dos atenienses  em  matéria  religiosa  e  ao seu  hábito  de,  em  qualquer  objeto, ver a  manisfestação  de  um  poder  misterioso,  pois  receando ofender, algum deus  de que  ignorassem  o nome ou  desprezar  um  deus  poderoso  ou ainda  querendo  obter  um  favor  que podia  depender  de determinada divindade  que não  conhecessem, construíam  altares anônimos."

 

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"Paulo ficou  muito  impressionado  com  as  inscrições  nos  altares  a  um  deus  desconhecido. Interpretando-as  com  o seu  espírito  judáico, supôs-lhe  um  sentido  que  não  tinham. Acreditou  que  se  tratava  de  um  deus  chamado " o Deus  desconhecido", vendo nele  o deus  dos judeus,  o deus  único. 

As  cidades  em  que  Paulo  tinha  pregado  até  então  eram  cidades  industriais  em  grandes  judiciárias,  cidades  de  todo  mundo  e de  pouca  cultura  e  não  centros  brilhantes.

Atenas  era  profundamente  pagã. Paulo  hesitou muito.  Timóteo  chegou  enfim  da  Macedônia; Silas não  pudera vir.  Só  então Paulo  resolveu  agir.

Havia  uma  sinagoga  em  Atenas  e  nela  Paulo  falou  aos judeus  e  às  pessoas "tementes  a  Deus" , mas numa  cidade  como  Atenas, só  êxitos de  sinagoga  não  significavam  nada.  Assim  procurou falar  na  cidade, não  como  pregador, mas como estrangeiro que  se  insinua  espalhando  timidamente  a sua  idéia  e  procurando  algum  ponto  de apoio.  O  resultado  foi  medíocre.

Jesus  e a  ressurreição (anastasis)  eram  palavras estranhas , sem  nenhum  significação  em  Atenas.  Muitos  chegaram  a  considerar a palavra Anastasis  sendo  um  nome  de  deusa, e acreditaram  que  Jesus  e  Anastasis  eram  um novo  casal  divino, que  estes  sonhadores  orientais  vinham  divulgar. Esse primeiro  contato  do  cristianismo  com  a  filosofia  grega  não  gerou  grandes resultados."

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"Os  motivos  que deviam gerar  a  prosperidade  do cristianismo, não deviam residir  nos  centros  dos letrados e  sim  no  coração das piedosas mulheres, nas aspirações íntimas  dos  pobres,  dos escravos, dos  sacrificados  de  toda  a  espécie.  Para  que  a  filosofia se  aproxime da  nova doutrina, deverá  a filosofia  tornar-se  mais  simples. Muito tempo terá  de  passar  para  uma tal  aliança  e  não  será  em  Atenas que  ela  se  realizará.

Atenas  estava  menos apta  do  que  o necessário para receber  o cristianismo.  Em uma  sociedade completamente diversa  daquela  em  que  tinha vivido até ali,  em  meio  de  retóricos  e  de  professores de  esgrima,  Paulo  encontrava-se  perdido.  O seu  pensamento  voltava  sem cessar  para as  suas estimadas  igrejas  da Macedônia  e  da Galácia, onde  encontrara  um  tão  grande  sentimento  religioso.  Diversas vezes pensou  em voltar  para Tessalônica.

Paulo recebera  a  notícia  de que  a  fé  da  nova  igreja  estava sofrendo  grandes  provações; receou  que   cedessem às  tentações, mas  ele  não  poderia  ir, enviou  Timóteo  a  Tessalônica para confirmar, exortar  e  consolar  os  fiéis  e ficou sozinho  em  Atenas.

Empenhou-se  em seu  trabalho, mas  o avanço era   muito  lento e difícil.  O  espírito  dos  atenienses era  completamente o oposto dessa disposição religiosa, enternecida e profunda,  que  levava  as  conversões e  predestinava  para  o cristianismo.  As terras verdadeiramente  helênicas  eram  impermeáveis  para  a  doutrina  de  Jesus. Plutarco, que viveu  numa  atmosfera  totalmente  grega, não  teve  dela ( a  doutrina) nenhum  reconhecimento  na  primeira metade  do  século II."

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 "O  grego ruim  que  Paulo falava, a sua  frase  incorreta  e  hesitante, eram  um empecilho  em  Atenas;  os  filósofos voltaram  as costas. "È  um  pregador  de  novos deuses, diziam  uns, nenhum  previra  que  um  dia este "tonto"  os  suplantaria e que  474 anos  depois as  suas  cátedras  haviam  de  ser eliminadas  por  inúteis  e  prejudiciais ,em virtude do  sermão  de  Paulo.

Vaidosos  da  sua  superioridade, os  filósofos  de  Atenas  desdenhavam  as  questões  da  religião  popular.  Ao  lado  deles a superstição  florescia;  a elite dos  pensadores  pouco  interessava-se pelas  necessidades  sociais.  Um  tal  descaso encontra sempre, algum dia,  a  devida  punição.

Quando  a  filosofia declara que não  se  ocupa da religião,  a  religião responde-lhe abafando-a, e  é  um  fato natural, pois  a filosofia  não  é  nada  se  não  aponta  à  humanidade   o seu caminho, se  não  leva  a  sério  o  problema infinito,  que  é  igual para  todos.

Nem  judeus,  nem  pagãos  tentaram  nada  contra  Paulo. Em outros  lugares, a  nova  doutrina  produziu  uma  reação  imediata,  pelo  menos  nos judeus,  aqui  ela não  encontraria ouvintes  curiosos  e  comovidos.

  Acredita-se  que  um dia, o levaram ao  Aerópago  e  convidaram  a explicar  que  religião pregava.  O aerópago  fora  sempre  o corpo  aristocrático de  Atenas."