Síntese
da obra de ERNEST RENAN
(HISTORIADOR), sobre
“PAULO
O DÉCIMO TERCEIRO
APÓSTOLO” ressaltando
a história da igreja primitiva.
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"A bondade do grego ortodoxo
consiste em práticas e sinais exteriores. Neste
cristianismo oriental, não há lágrimas, nem
preces, nem compunção interior.
Nestas regiões os doentes
não apresentam um ar de abatimento, veêm chegar
suavemente a morte.
Desiludido com seu
insucesso em Atenas, Paulo partiu para Corinto, sem esperar
o regresso de Timóteo. Não fundara em
Atenas nenhuma igreja importante. Somente algumas
pessoas isoladas, entre elas Dionísio e uma
mulher Damaris, aderiram às suas doutrinas. Mesmo
no segundo século a igreja de Atenas é
pouco sólida, pois foi uma das últimas
cidades que se converteram.
Corinto era a capital
da província Acaia que englobava toda a
Grécia e que estava reunida a Macedônia.
Corinto era um lugar mais
preparado do que Atenas para receber a semente;
não era uma espécie de santuário do espírito,
uma cidade sagrada e única no mundo;
era muito pouco uma cidade helênica.
A antiga Corinto havia sido destruída por
Múmio. No ano 44 antes de Cristo.
Júlio Cesar reedificou a cidade que
povoou principalmente de libertos.
Os novos coríntios permaneceram
alheios à Grécia. Os seus espetáculos , jogos
brutais dos romanos, eram execrados pelos
gregos. Corinto era muito povoada, rica, brilhante,
frequentada por estrangeiros, centro de um
comércio ativo. Sua característica dominante era a
imensa corrupção de costumes, verdadeiramente extraordinária."
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"A influência de
marinheiros, atraídos pelos dois portos, fizera de
Corinto o último santuário do culto da Vênus
Pandemos. O grande templo da vênus abrigava mais
de mil cortesãs sagradas. Em Corinto havia
uma colônia de judeus provavelmente estabelecida
em Kenchrés.
Próximo ao desembarque
de Paulo, um grupos de judeus expulsos
de Roma pelo Édito de Cláudio, entre os
quais Àquila e Priscila que já nesta
época professavam a fé de Cristo, haviam chegado
de barco. A nova Corinto, por possuir apenas
um pouco de nobreza helênica, já era uma
cidade meio cristã. Assim como Antioquia, Éfeso,
Tessalônica e Roma, ela será a metrópole do ramo
mais elevado. No entanto, a imoralidade que
nela residia podia, ao mesmo tempo pressagiar que
lá seriam produzidos os primeiros abusos da
história da igreja. Em alguns anos Corinto será
palco de cristãos incestuosos e ébrios
sentados à mesa de Cristo.
Paulo viu que seria
necessária uma longa permanência em Corinto e
para isso decidiu estabelecer-se e exercer
sua profissão de tapeceiro. Áquila e
Priscila tinham a mesma profissão, assim foram
morar juntos e abriram uma pequena loja, que
fornecia artigos confeccionados pelos três."
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"Timóteo, que Paulo enviara
de Atenas a Tessalônica, veio juntar-se-lhes
em breve. As noticias da igreja de
Tessalônica eram excelentes: todos os fiéis
perseveraram na fé e caridade, conservando-se ligados
ao seu mestre; os vexames dos seus
concidadãos não tinham constrangido a sua ação
bondosa que estendia-se a toda a
Macedônia . Silas que Paulo não mais
encontrara desde a partida de Beréia ,
juntou-se a Timóteo e veio com ele.
Desta forma três companheiros encontraram-se
reunidos em Corinto e ai viveram juntos
longo tempo.
Como sempre a atividade
de Paulo exerceu-se primeiro entre os
judeus e aos sábados começou a falar
na sinagoga. Os ortodoxos resistiram com
energia, um dia Paulo sacudiu sobre os
incrédulos da assembléia o pó do seu
hábito, e reclamou que uma vez que eram
surdos à verdade, iria pregar aos gentios.
Dai em diante ensinou na casa de
Tício Justo;
Crispo, o chefe da
comunidade judáica, tomou o partido de Paulo.
Judeus, pagãos e tementes a
Deus, se fizeram batizar. O número de
pagãos convertidos parece ter sido relativamente
considerável, mas em Corinto não se
respirava o mesmo ar de inocência e de
bondade que em Filipos e Tessalônica. Em compensação poucas
igrejas abrigavam tantos fiéis. A comunidade
de Corinto alastrou-se por toda a província
de Acaia, tornando-se o núcleo do
cristianismo na península helênica. Os
convertidos eram pessoas simples, sem grande
instrução nem distinção social, pertencentes as
classes mais humildes, com exceção de um
certo Erasto, “tesoureiro da cidade"
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" O porto de kenchrées,
povoado por muitos orientais
(porto de Corinto no mar Egeu),
também conquistou a sua igreja. No
meio da corrupção desses homens do mar foi
que o cristianismo realizou o seu
milagre.
Ficaram 18 meses em
Corinto, mas Paulo não podia esquecer
Tessalônica, a simplicidade que lá encontrara.
A igreja de
Tessalônica era o modelo que não
cessava de pregar e que sempre
recordava.
Em Corinto recebeu ajuda
financeira de Filipos.
Um dia Sóstene, o
novo chefe da sinagoga, chamou Paulo
perante o tribunal, acusando-o de pregar um
certo culto contrário à Lei. O procônsul
Galião, um dos personagens mais amáveis
e mais instruídos do século, deu ordem
para que os dois grupos se retirassem, pois
não queria ser juiz de questões religiosas.
A missão de Corinto
foi cheia de problemas que Paulo encontrava
pela primeira vez na sua carreira apostólica, problemas
provindos do seio da própria igreja, de
homens insubmissos que nela se tinham
introduzido e que lhe resistiam, ou
mesmo judeus atraídos para Jesus, mas não
tão desprendidos como Paulo das observâncias
da Lei. Aqui já se sentia o espírito
falso do grego degenerado que a
partir do século IV, alterou profundamente
o cristianismo.
Paulo já lembrava com
saudade suas estimadas igrejas da Macedônia (
de Filipos e Tessalônica). As epístolas escritas
em Corinto dão a impressão dessa
grande tristeza, muito desenvolvidas em
trechos destinados aos destinatários, inclusive algumas
alusões desfavoráveis a respeito daqueles em
cujo meio o espírito escreve."