Módulo VII

 

 

História do  Cristianismo

Igrejas Primitivas

 

AUTORIA  e  IMAGENS:  LASTHENIA  DE  ALENCAR

PERÍODO: Fortaleza, Setembro  de  2009.

 

Síntese  da  obra  de  ERNEST  RENAN (HISTORIADOR), sobre

“PAULO  O  DÉCIMO  TERCEIRO  APÓSTOLO”  ressaltando  a  história da igreja  primitiva.



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"A  bondade  do grego ortodoxo consiste  em  práticas e  sinais exteriores.  Neste cristianismo  oriental, não  há  lágrimas, nem  preces,  nem  compunção interior.

Nestas  regiões os  doentes  não  apresentam  um  ar  de  abatimento, veêm  chegar  suavemente  a morte.

Desiludido  com  seu  insucesso  em Atenas,  Paulo  partiu  para  Corinto, sem  esperar  o regresso  de  Timóteo.  Não  fundara em  Atenas  nenhuma  igreja  importante. Somente  algumas  pessoas  isoladas, entre  elas  Dionísio  e uma mulher  Damaris, aderiram  às  suas  doutrinas. Mesmo no  segundo  século  a igreja  de Atenas  é pouco  sólida,  pois foi  uma das  últimas cidades  que se  converteram.

Corinto  era  a  capital  da  província  Acaia  que englobava  toda  a  Grécia  e  que  estava  reunida  a  Macedônia.

Corinto era  um  lugar  mais  preparado  do  que  Atenas para  receber  a semente; não  era uma espécie  de  santuário  do  espírito, uma  cidade  sagrada  e  única  no  mundo; era  muito  pouco  uma  cidade  helênica.  A  antiga  Corinto  havia sido  destruída  por  Múmio.  No  ano  44  antes  de  Cristo.  Júlio  Cesar  reedificou  a  cidade  que  povoou  principalmente  de  libertos.

Os novos  coríntios  permaneceram alheios  à  Grécia.  Os seus  espetáculos , jogos brutais  dos  romanos,  eram execrados  pelos  gregos.  Corinto  era  muito  povoada, rica, brilhante, frequentada  por estrangeiros, centro  de  um  comércio  ativo. Sua  característica dominante era  a  imensa  corrupção de costumes, verdadeiramente  extraordinária."

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"A  influência  de  marinheiros, atraídos  pelos  dois portos, fizera  de  Corinto  o último santuário  do  culto  da  Vênus Pandemos. O grande templo  da  vênus  abrigava mais  de  mil  cortesãs  sagradas.  Em  Corinto  havia  uma  colônia  de  judeus  provavelmente estabelecida  em  Kenchrés.

 Próximo  ao  desembarque  de  Paulo,  um  grupos  de judeus  expulsos  de  Roma  pelo Édito  de  Cláudio,  entre os  quais  Àquila  e  Priscila  que  já  nesta época  professavam a fé  de  Cristo, haviam  chegado  de  barco.  A nova  Corinto, por  possuir  apenas um  pouco  de  nobreza  helênica, já  era  uma cidade  meio  cristã.  Assim  como  Antioquia, Éfeso, Tessalônica  e  Roma, ela será  a metrópole  do ramo  mais  elevado. No  entanto, a  imoralidade  que  nela  residia  podia, ao mesmo  tempo  pressagiar  que lá  seriam  produzidos  os  primeiros abusos  da história  da  igreja. Em  alguns anos  Corinto será  palco  de cristãos  incestuosos  e  ébrios  sentados  à  mesa  de Cristo.

Paulo  viu  que seria  necessária  uma longa  permanência  em  Corinto  e para  isso  decidiu  estabelecer-se  e exercer  sua  profissão  de  tapeceiro.  Áquila  e  Priscila  tinham  a  mesma  profissão, assim foram  morar juntos  e abriram uma  pequena  loja,  que fornecia  artigos confeccionados  pelos três."

 

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"Timóteo, que  Paulo  enviara  de  Atenas  a Tessalônica,  veio  juntar-se-lhes  em  breve.  As  noticias  da  igreja  de  Tessalônica  eram excelentes:  todos  os fiéis  perseveraram  na fé e  caridade, conservando-se ligados  ao  seu  mestre; os  vexames  dos  seus  concidadãos  não  tinham  constrangido a sua  ação  bondosa que  estendia-se  a  toda  a  Macedônia .  Silas  que  Paulo  não  mais  encontrara  desde  a  partida  de  Beréia , juntou-se  a  Timóteo  e  veio  com  ele.  Desta  forma  três companheiros  encontraram-se  reunidos  em  Corinto e  ai  viveram  juntos  longo  tempo.

Como  sempre  a  atividade  de  Paulo exerceu-se  primeiro  entre  os  judeus  e  aos  sábados  começou  a falar  na  sinagoga. Os  ortodoxos  resistiram  com  energia,  um dia  Paulo sacudiu  sobre  os  incrédulos  da  assembléia o pó  do  seu  hábito,  e  reclamou  que uma  vez que  eram  surdos  à  verdade, iria pregar  aos  gentios.  Dai  em  diante  ensinou  na  casa  de  Tício  Justo;

Crispo,  o chefe  da  comunidade  judáica, tomou  o partido  de  Paulo.

Judeus, pagãos  e  tementes  a  Deus, se  fizeram  batizar.  O  número  de pagãos  convertidos  parece  ter sido  relativamente  considerável,  mas  em  Corinto  não  se  respirava o mesmo  ar  de  inocência  e  de  bondade que em  Filipos  e Tessalônica. Em compensação  poucas igrejas  abrigavam  tantos  fiéis. A  comunidade  de  Corinto  alastrou-se  por  toda  a  província  de  Acaia,  tornando-se  o  núcleo  do cristianismo  na  península  helênica. Os  convertidos  eram  pessoas  simples, sem  grande  instrução  nem distinção  social, pertencentes  as  classes  mais  humildes, com  exceção  de  um  certo  Erasto, “tesoureiro  da  cidade"


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" O porto  de kenchrées,  povoado  por  muitos  orientais

(porto de  Corinto  no mar  Egeu), também  conquistou  a  sua  igreja.  No  meio  da corrupção  desses homens  do  mar  foi  que  o  cristianismo  realizou  o  seu  milagre. 

Ficaram  18  meses  em  Corinto, mas  Paulo  não  podia  esquecer  Tessalônica,  a simplicidade  que  lá  encontrara.

  A  igreja  de  Tessalônica  era  o  modelo  que  não  cessava  de  pregar  e  que  sempre  recordava. 

Em  Corinto  recebeu  ajuda  financeira  de  Filipos.

Um  dia  Sóstene,  o  novo  chefe  da  sinagoga,  chamou  Paulo  perante  o tribunal,  acusando-o  de  pregar  um  certo  culto  contrário  à Lei.  O  procônsul  Galião,  um  dos  personagens  mais  amáveis  e  mais  instruídos  do  século, deu  ordem  para  que  os  dois grupos  se retirassem, pois  não  queria  ser  juiz  de  questões  religiosas.

A  missão  de  Corinto  foi  cheia  de problemas  que  Paulo encontrava  pela  primeira vez  na sua  carreira apostólica, problemas  provindos  do  seio  da  própria  igreja, de  homens  insubmissos  que  nela  se  tinham  introduzido  e  que  lhe  resistiam,  ou  mesmo  judeus  atraídos para  Jesus, mas  não  tão  desprendidos  como  Paulo  das  observâncias  da  Lei.  Aqui  já  se  sentia  o espírito  falso  do  grego  degenerado  que  a  partir  do  século  IV, alterou   profundamente  o cristianismo.

Paulo  já  lembrava  com  saudade  suas  estimadas  igrejas  da  Macedônia (  de  Filipos  e Tessalônica).  As epístolas  escritas  em  Corinto  dão  a  impressão  dessa  grande  tristeza,  muito  desenvolvidas  em  trechos  destinados  aos destinatários, inclusive  algumas  alusões  desfavoráveis  a respeito  daqueles  em  cujo  meio  o espírito escreve."

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