Módulo XIII

 

 

História do  Cristianismo

Igrejas Primitivas

 

AUTORIA  e  IMAGENS:  LASTHENIA  DE  ALENCAR

PERÍODO: Fortaleza, Setembro  de  2009.

 

Síntese  da  obra  de  ERNEST  RENAN (HISTORIADOR), sobre

“PAULO  O  DÉCIMO  TERCEIRO  APÓSTOLO”  ressaltando  a  história da igreja  primitiva.


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Sobre  Paulo  pesava  a  solicitude  de  todas  as  suas igrejas  fundadas,  em  especial  a  de  Corinto. Apolos  partira  para  Corinto  levando  cartas  dos  irmãos,  ele  igualava-se  ao  mestre nos  conhecimentos  das   escrituras   e  ultrapassava-o quanto  a  cultura  literária. Tinha  domínio  do  grego,  ao  contrário  de  Paulo; tinha  o  dom  da  oratória  que faltavam  ao  mestre.  Assim  ambos tinham  fisionomias distintas  na  mesma  seita. Eram  os  únicos  judeus instruídos a  maneira  judaica, que  tinham  se  filiado  a  doutrina  de  Jesus,  mas  ambos  vinham  de  formações  diferentes.  Paulo  saíra  do  farisaísmo hierosolimítico,  corrigido  pelas  tendências  liberais  de  Gamaliel.

 Apolos provinha  da  escola  judaico-helênica  de  Alexandria; era  um  homem  muito  talentoso, mas  do  que  era  apóstolo.  Mas  seu  talento  conquistou  a  todos. Tinha  modos  totalmente  diversos  do  outro, que  arrebatava  pela  sua  força, pela  sua  paixão.  Alguns por o  preferirem , tratavam Paulo  com o homem  grosseiro, sem  educação.

 Juravam    por  Apolo,  seu  doutor. Ambos  porém não  eram inimigos  e sim  colaboradores. Porém  os  seus  nomes tornavam-se  as  senhas  de  dois  partidos, que  trocavam  sem  a  aprovação  de  ambos,  as  maiores  acusações. Assim  Apolo  abandonou  Corinto,  regressando  para  Éfeso.

  encontrou  Paulo.

Tanto  em  Corinto  como  em  toda  a  parte, criou-se  “um  partido  de  Pedro”  e  “um  partido  de  Paulo”, devido  aos  emissários  que tinham  vindo  de  Jerusalém.




A  imoralidade  que  se apoderava  de  Corinto  exercia  efeitos  danosos  na  igreja. Haviam  sido violadas  as  regras  judaicas  sobre  o casamento. Invejavam-se  mutuamente, havia  muita  disputa,  frivolidades, orgulho.  

Porém  nos ágapes, nos  festins  místicos ocorriam  absurdos. Uns  saiam  quase  embriagados  e  não  faziam  a  partilha. Alguns  com  fome  e vergonha,  outros  esbanjando. Era  como  se  os  ricos  insultassem  com  a  sua  abundância  os   que não  tinham  nada.

O  estado físico  dos  membros  da  igreja  era,  muito  ruim,  muitos   estavam doentes  e  muitos  tinham  morrido.

Quanto  a  conduta deles,  Paulo  escreveu  uma  epístola  que se perdeu,  onde  proibia  o   relacionamento  dos  fiéis  com  as  pessoas  cuja  vida  fosse  impura.

Segundo  Paulo,  o tipo  ideal  da perfeição moral,  é  o homem  tranqüilo, honesto, casto,  sóbrio, caridoso,  desprendido  das  riquezas. A  humildade  de  condição  e  a  pobreza  são  requisitos  quase indispensáveis  para  ser  cristão.


Verdadeiramente  arrebatado  por  um  sopro  profético, Paulo  escreve  então  a  página  admirável,  a  única de  toda  a  literatura  cristã  que pode  ser  comparada  aos  discursos  de  Jesus... “ainda  que  eu  fale  as  línguas  dos  homens  e dos anjos, seu  eu  não  possuir  amor....”

 O dogma  fundamental  da igreja  primitiva,  a  ressurreição  e  o fim  do  mundo  próximo, ocupam  uma  grande  parte  desta epístola . O  apóstolo  nos faz umas oito  ou  nove  referências  diferentes. A  ressurreição,  de todos  os dogmas  cristãos  era  o que mais  repugnava  o espírito  grego.

Eles não acreditavam  na  ressurreição  dos mortos,  mas admitiam  a  de  Jesus. Eles diziam que  Cristo não voltou e  que  todos  da  comunidade  que  morreram  também  não. Apesar disto, a  esperança não  se  extinguia.




O próprio reino  de  Deus  Foi a  idéia-mãe  e  criadora  da  nova  religião. Acreditar que  o homem  não  morria,   uma  recompensa  imediata, foi  um  grande atrativo  para  arrancar  do  homem  tanta  dedicação. Nos  anos  54-58 essa  crença  atingira  o  mais  alto  grau  de  intensidade. Todas as  cartas  de  Paulo escritas  nessa época estão, impregnadas  dessa  idéia.  As  duas  palavras  siríacas Maran atha    O Senhor  vai chegar”, eram  as  palavras  com  que  se reconheciam  os  cristãos,  a saudação  que  dirigiam uns  aos  outros,  para  manterem  a  coragem  nas  suas  esperanças.



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Para  acalmar  as  sensibilidades  da igreja  de  Jerusalém  e  corresponder  a  uma  das  condições de  paz  que  fora  assinada  na  entrevista  do  ano  51, Paulo  preparava  uma  grande  coleta nas  igrejas  da Ásia  Menor  e  da  Grécia.  A  obrigação  da  esmola,  era  um  dos  laços  que  afirmavam  a dependência  das  igrejas  provinciais  para  com  as  da  Judéia.  Esta  estava  sempre  na  miséria,  eram muitos  os mendigos.

Em  uma época  mais  anterior,  o que caracterizava  a sociedade judáica  era  a inexistência  da  miséria  e de  grandes  fortunas. Dois  ou  três  séculos depois  havia  em  Jerusalém ricos  e ,  por  conseqüência, pobres.  Os  apóstolos sofriam como  todo  o  povo  essa  realidade.  Era  preciso  que  essas  igrejas   devotadas,  trabalhadoras , salvassem  o  povo  de  morrer  de  fome.

Então  começou  a  organizar  a  coleta  do  ano 56. Paulo escreveu  primeiro  aos  corintos, depois aos  gálatas  e  a outras  igrejas. Assim,  quis que em cada  domingo  cada um  colocasse separado umas economias  para  conduzir  a  Jerusalém.

 

Paulo  estivera três  anos  em Éfeso,  deverá  ser  daí  em  diante  uma  das  metrópoles do cristianismo,  e o  local  onde  deverão  operar-se  as suas  mais  importantes  transformações.

Após  a  partida  de  Paulo  Áquila  e  Priscila  continuaram  sendo,  o núcleo  da  igreja.  Sua  casa  era o lugar  das  reuniões  das  pessoas  mais  piedosas  e  dedicadas.  Epeneto,  o primeiro  efésio a  ser  convertido,  vinha logo  após  eles.  Muitos  dos  convertidos  eram  escravos, como  pode  ser  visto  pelos  nomes  com  que foram  batizados, como os  negros  das  colônias.

E certo  que  houve entre os  cristãos  muitos casos  de  pessoas  que não  eram  livres. Embora  tivessem liberdade  para que se  visitassem. É provável  que  muitos  deles  que  se  dedicavam  ao  serviço  da  igreja, fossem  escravos,  e que  as  horas livres  ofereciam  ao  diaconato,  com  autorização  de  seus senhores. O  próprio  Epiteto  fora  escravo  grande  parte  de  sua vida.  A  escravidão nessa  época  abrigava muitas  pessoas  polidas, resignadas, instruídas.

Os  humildes operários de  Éfeso,  que  Paulo saúda  com  tanta cordialidade,  eram  pessoas  de  grande  honradez: ¨vede  como

 eles se  amam”!  Era  a exclamação  dos pagãos. Depois da  missão  de  Jesus,  esta  é  obra  divina  do cristianismo.

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Paulo não  pertence  ao  número dos  que se vangloriam  a si  mesmo e  que  vão  extorquir  a uns  e  a  outros, cartas  de  recomendação.  A carta dele  é  a igreja  de Corinto . Essa carta,  ele  a  traz  no  coração,  é  legível  por  todos,  esta  escrita,  não á tinta,  mas  pelo  espírito  de  Deus; não  em  tábuas  de  pedra, mas  nas  do  coração. Não  se  arroga  autoridade  senão  sobre  as igrejas  que fundou:  Cada  um  no  seu  terreno. Ele  não precisava  apoderar-se   aproveitar-se  do  trabalho  dos outros.

A  Macedônia  era  de  um  zelo exemplar  na  coleta  para os  pobres  de  Jerusalém. Seus  cristãos  haviam  perdido  a  sua  pequena  fortuna  pelo  fato  de  terem  aderido  a  nova doutrina, mesmo  assim  souberam  encontrar meios  de  ajudar  a  obra  de  Paulo. Suplicavam  que  ele aceitasse  as  suas  economias  feitas  a custa  de muita  privação.

Paulo  escreve  a  Corinto  dizendo: ¨ a  regra  é  a  igualdade,  ou  melhor  a  reciprocidade; compete  aos  primeiros  socorrer  os  segundos; os  segundos  por  sua  vez  socorrerão  os primeiros. Assim,  se  verificarão  as  palavras:” aquele que tinha  muito não  sobraria  nada; ao  que  tinha  pouco  nada  faltaria ¨.  “O que dá  a  semente  ao semeador vos 

saberá também  dar  o pão  de  que  tendes  fome”.

A recomendação  que  Paulo faz mais insistente  é  a  paciência.

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