Módulo XIV

 

 

História do  Cristianismo

Igrejas Primitivas

 

AUTORIA  e  IMAGENS:  LASTHENIA  DE  ALENCAR

PERÍODO: Fortaleza, Setembro  de  2009.

 

Síntese  da  obra  de  ERNEST  RENAN (HISTORIADOR), sobre

“PAULO  O  DÉCIMO  TERCEIRO  APÓSTOLO”  ressaltando  a  história da igreja  primitiva.


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Segundo estimativas, Paulo  partiu  da  Macedônia  e  chegou  a Grécia  em  meados  do  ano  57. Era  uma  espécie  de caravana  apostólica,  onde  estava reunida  toda  a fina flor  do  movimento  novo. Permaneceram lá  os  três  meses  de  inverno (dez-jan-fev).  Aproveitou  o descanso  para  escrever  sob  a  forma de  epístola,  um  resumo  de  sua  doutrina  teológica. Dirigiu-se  a maioria   das igrejas  que  fundara.  Em  todos  os  exemplares  o miolo  da epístola ( os onze  primeiros  capítulos dogmáticos, exceto algumas alterações no  capítulo I ) era  quase  idêntico;  apenas  as  recomendações  morais  e  as  saudações  é  que mudavam.

Foi  o exemplar dirigido  a  igreja  de  Roma  que serviu  de  base para  a  elaboração  do  texto,  quando  se  fez  a  coleção  das epístolas  de  Paulo,  por  isso  o título que  esta epístola  tem  hoje. Copiaram  apenas uma  vez  as  partes  comuns, no  entanto  reconheceram  no  fim  da  cópia as  partes  que  mudaram  nos diferentes  exemplares  ou  que  se  encontravam  em  mais  de  um. Este  precioso  texto, base  da  teologia  cristã,  é  aquele  em  que  as idéias  de Paulo são expostas  com  mais clareza : ¨ não  é  a circuncisão  que  faz  o verdadeiro judeu,  o pagão  que  segue verdadeiramente a  lei  natural, vale  mais  do  que  o judeu  que  não  cumpre  a  Lei  de  Deus”. ¨ Deus  não  é  apenas  Deus  dos  judeus,  é  também Deus  dos  gentios”.




O  cristianismo  nas  mãos  de  Paulo  atingiu  uma  grande  distância  do judaísmo.  Jesus  recebe  influência  direta de  Isaías,  pelos  salmistas, pelos  profetas do  tempo  do cativeiro, pelo  autor  do cântico  dos  cânticos  e  por  vezes  pelo  autor  do  Eclesiastes.

Paulo é  influenciado  apenas  por Jesus.  O cristão perfeito, esclarecido  é aos  seus olhos  aquele que  conhece  a  inutilidade  da Lei  e  a frivolidade  das práticas  piedosas . O  espírito  da  igreja deve  ser a  modéstia,  a concórdia,  a mútua  solidariedade. Um    corpo tem muitas partes; cada parte não  tem apenas uma  função, mas  todos  interagem  uns com  os  outros, são  igualmente  necessários,  contanto que  utilizem nas  suas funções  a simplicidade,  a  dedicação,  a alegria  que  estas funções reclamam. Caridade  sem hipocrisia, fraternidade, delicadeza e  cortesia, atividade , fervor, esperança, paciência, amabilidade, harmonia,  humildade,  perdão  das  injúrias,  amor  ao  próximo,  pressa  em  atender as necessidades  dos  santos, vencer  o  mal  não  pelo  mal, mas pelo  bem, chorar  com  os  que choram; essa  é  a  moral , em  parte tirada  dos  antigos livros  hebreus  que  Paulo prega  depois  de Jesus.




O cristianismo  se  propagava  entre  pessoas muito  piedosas, e,  como  tais, muito propensas  ás práticas  da  devoção. Tornando-se cristãs, permaneciam fiéis aos  seus  antigos  hábitos. Nesta nova carta Paulo permanece fiel ás  excelentes regras de  conduta que  traçara aos corintos. Para ele  o reino  de  Deus não  tem nada  com  o comer e  beber; resume-se em  justiça, paz, alegria, edificação. Os  seus  discípulos  ocupavam-se durante muitos  dias  copiando  este  manifesto, destinado  a  diversas  igrejas.

A epístola ás  igrejas  da Macedônia  foi  escrita  por  Tércio. Os  macedônios  que  acompanhavam  Paulo  e  os  coríntios, que  tinham  relações  com  as  igrejas  do  norte  da  Grécia, aproveitaram  a  ocasião  para  saldar  os  seus  irmãos.

O  envio  e  a redação  da  epístola  aos  romanos  ocuparam  quase  todo  o inverno  que  Paulo  passou  em  Corinto.




Este escrito tornou-se  mais  tarde  o resumo do  cristianismo dogmático,  a  peça principal que levou um  grande  número de  espíritos rudes  a  filiarem-se  ao cristianismo . A doutrina de  Paulo, separou  o cristianismo  do  judaísmo.  O judeu  mais  desprovido  de  sentimento,  um  usuário  egoísta  e  mau, imaginava  que  cumprindo  a  Lei  obrigava Deus  a  salvá-lo.  O católico  do  tempo  de  Luís XI imaginava  que com  muitas  missas  se  procedia  para  com  Deus  como  com  multas  para  o  meirinho, podendo  assim  um  homem  vil, chegar  a  ganhar  o céu. Está forma  absurda  de  pensar  a  que  o judaísmo  foi  levado  pelo  talmudismo  e  o cristianismo  pelo  catolicismo da  idade  média, Paulo combate-a  com  energia.  É  a fé  em  Jesus  que  salva.  O  desespero  dos  devotos judeus do  tempo  de  Jesus  e  de  Paulo  era  o receio  de não  estar  seguindo  perfeitamente  uma  regra. Jesus,  no  pensamento  dos seus  discípulos,  vem  possibilitar a entrada  no  reino  de  Deus,  que  os  fariseus  tinham  tornado  tão  difícil,  alargar  a  porta  do  judaísmo  que  tanto  tinham  estreitado.  O escrúpulo é  o grande  tormento  das  almas  delicadas;  quem  as  alivia  tem  sobre  elas  um  grande  poder.

           Ter  cometido um crime,  ter  a  consciência  sobrecarregada,  muitas  vezes  foi  o  motivo  para  se  fazer  cristão. “É  esta  uma  lei  que  serve  para  vos livrar  de  pecados  de  que  não pudestes  ser  justificados  pela  Lei  de  Moises ¨(Atos).  Que  havia  de  mais  tentador  para  o  judeu?  Um  dos  motivos  que  levaram, diz-se, Constantino  para  o cristianismo  foi  a  crença  em  que apenas  os  cristãos  tinham  expiações para  tranqüilizar  a  alma  de  um  pai  que  tivesse  matado  o filho.  A misericórdia  de Jesus,  perdoando  a todos,  dando  até  uma  certa  preferência  aos  pecadores,  apareceu  neste  mundo  como  pacificador  das  almas.

 Paulo,  ao  enviar  a  sua epístola  já tinha  fixado  a  data  da  sua partida. Porém  não  tinham  tranqüilidade  na  disposição  da  igreja  de Jerusalém, pedia  que  os  fiéis  rezassem  para  que  as  oferendas  fossem  bem  recebidas  pelos  santos  de  Jerusalém. Ele  iria representar  os  pobres, como  seu  diácono.




Todas  as províncias  do  império romano  tinham  ouvido falar  do evangelho, exceto  o Egito.

Nunca  Paulo  saíra  da  regra  de    pregar apenas  nos  países  onde  Cristo não  fora  ainda  nomeado.

A  terceira  missão  teve  o mesmo  roteiro da  segunda. Era  como  pastor  dos  gentios  e  não  como  fundador,  que  ele  pretendia  chegar  na capital do império. Sua  intenção  era  uma  visita  breve.  Nessa  época  ele tinha  de 45  a  48  anos

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Partiram  para  a  Macedônia. No  caminho  encontrou  Lucas. Paulo  falava  em  sua  morte  próxima  e  se  despedia. Os discípulos suplicavam para  que  ele  desistisse na  missão,  devido  a  rumores,  de  que  ele  seria  morto  na  chegada. Mas  eles  partiram.

Alguns  dias  depois, na  festa  de  Pentecostes  eles  chegaram,  em  julho  de  58. Em  todo  o  canto  o  apresentavam como  um  inimigo  do  judaísmo,  um  apóstata;  o  homem  que  percorria  o mundo  para  destruir  a lei  de  Moisés  e  as  tradições bíblicas.  Não  foram  ao  seu  encontro,  aguardavam  a  sua  visita  com  uma  frieza  mais política  do  que cristã.

Tiago  era  o chefe  único e  absoluto  da  igreja  de  Jerusalém. Pedro  estava  ausente e  provavelmente  estabelecido  em  Antioquia.  O  partido  judaico-cristão  reinava  em  Jerusalém.  Tiago  cego  pelo  respeito  de  que  todos  os  cercavam,  representava um  princípio  de  conservação  e  de  solenidade  pesada.  Ao  seu  redor, um  numeroso  partido, mais  fariseu  do  que  cristão,  tinha  o  gosto  pelas  observâncias legais.

Assim  Paulo  foi  visitar Tiago, todos os  anciãos  estavam  reunidos  na  casa  de  Tiago. As  ofertas  foram  entregues, foram  aceitas sem nenhum  agradecimento.

 

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Pediu-se  a  Paulo  que  pagasse  as despesas  da  ordenação  de  quatro  inspetores  que  não  tinham  com  que  pagar  os  sacrifícios  que se faziam nestas  ocasiões, costume  muito  estimado  dos  judeus.  O  templo  era  cercado  por  muitos  pobres  que  tinham  feito  votos, mas  que  esperavam  que algum  rico  pagasse. Assim  Paulo  deveria  pagar  tributo á  estreiteza  de  espírito. Só  após  isto  ele seria reconhecido  como  irmão, pois  estaria  provando  que  continuava  fiel ás  práticas  do  seu  país. Tratava-se  apenas  de  impedir  que  se  acreditasse  que  era  possível  o  afrontoso  escândalo  de  um judeu  não  praticar  a  lei de  Moisés. Tão  grande  era  o fanatismo inspirado  pela  Lei  que  tal  fenômeno  era  considerado  mais  extraordinário do  que  a  mudança  radical  do  mundo.

Paulo submeteu-se, inscreveu-se por  sete  dias, sujeitou-se  a  todos  os  ritos  habituais. Ele estava  no quinto  dia  do  seu voto, quando  um  incidente, veio  decidir  o final  da  sua  carreira  e  empurrá-lo  a  uma  quantidade  de  atribulações  das  quais  não  se libertou, senão  pela  morte.



Espalhou-se  um boato  de  que  ele  levara Trófimo  que  não  era circunciso . Logo  foi  acusado  de cometer um  crime que    poderia  ser  lavado  com  sangue.

Clemente Romano atribui  a  perda  do  apóstolo  a  inveja,  que  está  de  acordo  com  a lei  de  ferro  que  regulará  as  coisas  humanas  até  o dia  do  triunfo  final  de  Deus.

Os  fanáticos  o teriam  matado  se  uma  autoridade  romana  não tivesse  intervido  para   o arrancar  de  suas  mãos.

O procurador  da  Judéia  ordenou  sua  prisão  na  torre, antes  de  ser chicoteado,  foi  revelado  ser  o mesmo  cidadão  romano.

Foi  conduzido  ao  sumo  sacerdote  Anania.  A  assembléia  estava  dividida  em  fariseus  e  saduceus.  Quando  Paulo  disse ser fariseu  e  que estava  sendo  acusado  por sua  esperança  na  ressurreição,  os  fariseus  tomaram  seu partido.  Após  longa  discussão  foi  encaminhado  a  torre.

Um  plano  para  matá-lo  foi  arquitetado  por  um  grupo  de zelotes  ou  sicários, mas  ele  fora  avisado  por  um  sobrinho  e  enviaram  Paulo  para  a  Cesaréia  com  forte  escolta.  Assim  ele  voltou  prisioneiro  em  meados  de  agosto  de  58,  á  cidade  que  deixara  doze  dias antes.