História do Cristianismo
Igrejas Primitivas
AUTORIA
e IMAGENS: LASTHENIA DE ALENCAR
PERÍODO:
Fortaleza, Setembro de 2009.
Síntese
da obra de ERNEST RENAN
(HISTORIADOR), sobre
“PAULO
O DÉCIMO TERCEIRO
APÓSTOLO” ressaltando
a história da igreja primitiva.
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Segundo estimativas, Paulo partiu
da Macedônia e
chegou a Grécia em
meados do ano
57. Era uma espécie
de caravana apostólica, onde
estava reunida toda a fina flor
do movimento novo. Permaneceram lá os
três meses de inverno
(dez-jan-fev). Aproveitou o descanso
para escrever sob
a forma de epístola,
um resumo de
sua doutrina teológica. Dirigiu-se a maioria
das igrejas que fundara.
Em todos os
exemplares o miolo da epístola ( os onze primeiros capítulos dogmáticos, exceto algumas
alterações no capítulo I ) era quase
idêntico; apenas as
recomendações morais e
as saudações é que
mudavam.
Foi o
exemplar dirigido a igreja
de Roma que serviu
de base para a
elaboração do texto,
quando se fez
a coleção das epístolas
de Paulo, por
isso o título que esta epístola
tem hoje. Copiaram apenas uma
vez as partes
comuns, no entanto reconheceram
no fim da
cópia as partes que
mudaram nos diferentes exemplares
ou que se
encontravam em mais
de um. Este precioso
texto, base da teologia
cristã, é aquele
em que as idéias
de Paulo são expostas com mais clareza : ¨ não é a circuncisão
que faz o verdadeiro judeu, o pagão
que segue verdadeiramente a lei
natural, vale mais do que o judeu
que não cumpre
a Lei de
Deus”. ¨ Deus não é
apenas Deus dos
judeus, é também Deus
dos gentios” .
O
cristianismo nas mãos
de Paulo atingiu
uma grande distância
do judaísmo. Jesus recebe
influência direta de Isaías,
pelos salmistas, pelos profetas do
tempo do cativeiro, pelo autor
do cântico dos cânticos
e por vezes
pelo autor do
Eclesiastes.
Paulo é
influenciado apenas por Jesus.
O cristão perfeito, esclarecido é
aos seus olhos aquele que
conhece a inutilidade
da Lei e a frivolidade
das práticas piedosas . O espírito
da igreja deve ser a
modéstia, a concórdia, a mútua
solidariedade. Um só corpo tem muitas partes; cada parte não tem apenas uma função, mas
todos interagem uns com
os outros, são igualmente
necessários, contanto que utilizem nas
suas funções a simplicidade, a
dedicação, a alegria que
estas funções reclamam. Caridade
sem hipocrisia, fraternidade, delicadeza e cortesia, atividade , fervor, esperança,
paciência, amabilidade, harmonia,
humildade, perdão das
injúrias, amor ao
próximo, pressa em
atender as necessidades dos santos, vencer o
mal não pelo
mal, mas pelo bem, chorar com
os que choram; essa é
a moral , em parte tirada
dos antigos livros hebreus
que Paulo prega depois
de Jesus.
O cristianismo
se propagava entre
pessoas muito piedosas, e, como
tais, muito propensas ás
práticas da devoção. Tornando-se cristãs, permaneciam
fiéis aos seus antigos
hábitos. Nesta nova carta Paulo permanece fiel ás excelentes regras de conduta que
traçara aos corintos. Para ele o
reino de
Deus não tem nada com o
comer e beber; resume-se em justiça, paz, alegria, edificação. Os seus
discípulos ocupavam-se durante
muitos dias copiando
este manifesto, destinado a
diversas igrejas.
A epístola ás
igrejas da Macedônia foi
escrita por Tércio. Os
macedônios que acompanhavam
Paulo e os
coríntios, que tinham relações
com as igrejas
do norte da
Grécia, aproveitaram a ocasião
para saldar os
seus irmãos.
O envio e a
redação da epístola
aos romanos ocuparam
quase todo o inverno
que Paulo passou
em Corinto.
Este escrito tornou-se mais
tarde o resumo do cristianismo dogmático, a peça
principal que levou um grande número de
espíritos rudes a filiarem-se
ao cristianismo . A doutrina de
Paulo, separou o cristianismo do
judaísmo. O judeu mais
desprovido de sentimento,
um usuário egoísta
e mau, imaginava que
cumprindo a Lei
obrigava Deus a salvá-lo.
O católico do tempo
de Luís XI imaginava que com
muitas missas se
procedia para com
Deus como com
multas para o
meirinho, podendo assim um
homem vil, chegar a
ganhar o céu. Está forma absurda
de pensar a
que o judaísmo foi
levado pelo talmudismo
e o cristianismo pelo
catolicismo da idade média, Paulo combate-a com
energia. É a fé
em Jesus que
salva. O desespero
dos devotos judeus do tempo
de Jesus e
de Paulo era o
receio de não estar
seguindo perfeitamente uma
regra. Jesus, no pensamento
dos seus discípulos, vem
possibilitar a entrada no reino
de Deus, que
os fariseus tinham
tornado tão difícil,
alargar a porta
do judaísmo que
tanto tinham estreitado.
O escrúpulo é o grande tormento
das almas delicadas;
quem as alivia
tem sobre elas
um grande poder.
Ter
cometido um crime, ter a
consciência sobrecarregada, muitas
vezes foi o
motivo para se
fazer cristão. “É
esta uma lei
que serve para
vos livrar de pecados
de que não pudestes
ser justificados pela
Lei de Moises ¨(Atos). Que
havia de mais
tentador para o
judeu? Um dos
motivos que levaram, diz-se, Constantino para o
cristianismo foi a
crença em que apenas
os cristãos tinham
expiações para tranqüilizar a
alma de um
pai que tivesse
matado o filho. A misericórdia de Jesus,
perdoando a todos, dando
até uma certa
preferência aos pecadores,
apareceu neste mundo
como pacificador das
almas.
Paulo, ao
enviar a sua epístola
já tinha fixado a
data da sua partida.
Porém não tinham
tranqüilidade na disposição
da igreja de Jerusalém, pedia que
os fiéis rezassem
para que as
oferendas fossem bem
recebidas pelos santos
de Jerusalém.
Ele iria representar os
pobres, como seu diácono.
Todas as
províncias do império romano tinham
ouvido falar do evangelho,
exceto o Egito.
Nunca
Paulo saíra da
regra de só
pregar apenas nos países
onde Cristo não fora
ainda nomeado.
A
terceira missão teve o
mesmo roteiro da segunda. Era
como pastor dos
gentios e não
como fundador, que
ele pretendia chegar
na capital do império. Sua
intenção era uma
visita breve. Nessa
época ele tinha de 45
a 48 anos
....
80
Partiram
para a Macedônia. No
caminho encontrou Lucas. Paulo
falava em sua
morte próxima e
se despedia. Os discípulos
suplicavam para que ele
desistisse na missão, devido
a rumores, de
que ele seria
morto na chegada. Mas
eles partiram.
Alguns
dias depois, na festa de Pentecostes
eles chegaram, em
julho de 58. Em
todo o canto
o apresentavam como um
inimigo do judaísmo,
um apóstata; o
homem que percorria
o mundo para destruir
a lei de Moisés
e as tradições bíblicas. Não
foram ao seu encontro,
aguardavam a sua
visita com uma
frieza mais política do que
cristã.
Tiago
era o chefe único e
absoluto da igreja
de Jerusalém. Pedro estava
ausente e provavelmente estabelecido
em Antioquia. O
partido judaico-cristão reinava
em Jerusalém. Tiago
cego pelo respeito
de que todos
os cercavam, representava um princípio
de conservação e
de solenidade pesada.
Ao seu redor, um
numeroso partido, mais fariseu
do que cristão,
tinha o gosto
pelas observâncias legais.
Assim
Paulo foi visitar Tiago, todos os anciãos
estavam reunidos na
casa de Tiago. As
ofertas foram entregues, foram aceitas sem nenhum agradecimento.
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Pediu-se
a Paulo que
pagasse as despesas da ordenação de
quatro inspetores que
não tinham com
que pagar os
sacrifícios que se faziam
nestas ocasiões, costume muito
estimado dos judeus.
O templo era
cercado por muitos
pobres que tinham
feito votos, mas que
esperavam que algum rico
pagasse. Assim Paulo deveria
pagar tributo á estreiteza
de espírito. Só após
isto ele seria reconhecido como
irmão, pois estaria provando
que continuava fiel ás
práticas do seu
país. Tratava-se apenas de
impedir que se acreditasse
que era possível
o afrontoso escândalo
de um judeu não
praticar a lei de
Moisés. Tão grande era o
fanatismo inspirado pela Lei
que tal fenômeno
era considerado mais
extraordinário do que a
mudança radical do
mundo.
Paulo submeteu-se, inscreveu-se por sete
dias, sujeitou-se a todos
os ritos habituais. Ele estava no quinto
dia do seu voto, quando um
incidente, veio decidir o final
da sua carreira
e empurrá-lo a
uma quantidade de
atribulações das quais
não se libertou, senão pela
morte.
Espalhou-se
um boato de que
ele levara Trófimo que
não era circunciso . Logo foi
acusado de cometer um crime que
só poderia ser
lavado com sangue.
Clemente Romano atribui a
perda do apóstolo
a inveja, que
está de acordo
com a lei de
ferro que regulará
as coisas humanas
até o dia do
triunfo final de
Deus.
Os
fanáticos o teriam matado
se uma autoridade
romana não tivesse intervido
para o arrancar de
suas mãos.
O procurador
da Judéia ordenou
sua prisão na
torre, antes de ser chicoteado, foi
revelado ser o mesmo
cidadão romano.
Foi
conduzido ao sumo
sacerdote Anania. A
assembléia estava dividida
em fariseus e
saduceus. Quando Paulo
disse ser fariseu e que estava
sendo acusado por sua
esperança na ressurreição,
os fariseus tomaram
seu partido. Após longa
discussão foi encaminhado
a torre.
Um
plano para matá-lo
foi arquitetado por
um grupo de zelotes
ou sicários, mas ele
fora avisado por um sobrinho
e enviaram Paulo
para a Cesaréia
com forte escolta.
Assim ele voltou
prisioneiro em meados
de agosto de
58, á cidade
que deixara doze
dias antes.