Tenho sede de
paz, tenho sede de amor, tenho sede em meio a tanto frio, tenho sede em meio
atanto desamor.
Tenho sede de
ti, do que se passa em ti, dos movimentos mais íntimos de teu coração, que
podem te levar ao conhecimento ou a uma profunda frustração.
O mundo tem
sede. O mundo tem sede de paz. O mundo procura o que não o satisfaz, o que não
enche o coração, o que abre espaço à ilusão.
Tenho sede
dos seus corações. Tenho sede de permanecer nos lares, nas famílias, em todos
os lugares onde eu não possa estar, onde meu nome não possa contar.
Tenho sede de
que conheçam meu Pai, afim de que o amem e quanto mais o amarem, mais
verdadeiramente serão.
Tenho sede da
sede mais profunda que há em ti, aquela que água alguma conseguiu saciar,
aquela que não conseguiste até aqui.
Tu tens sede
da água que parte de meu coração. Tu tens sede de vida, vida que só encontras
em mim. Para ti serei a única fonte que matará a sede, aquela que se não
encontrares, não terás paz. Eu tenho sede de aliviar o que te perturba, o que
não te deixa verdadeiramente viver.
Eu tenho sede
de aliviar o que te faz sofrer, um sofrimento sem sentido, pois há um
sofrimento que poderá te purificar, te amadurecer. Ao me conhecer, com certeza,
por este sofrimento haverás de passar.
Eu tenho sede:
arrancar de teu peito o que responde por todo despeito de resistir a querer me
encontrar. Eu tenho sede, sede de te buscar, e quando te esquivas às minhas
buscas, como é de se lamentar; pois ao invés de beber a água pura, a que jorra
de meu coração, tu encontras e bebes água suja, a que não te dá saúde, a que te
conduz a contaminação.
Se tu
soubesses o quanto ardo de sede por ti, se tu soubesses o fogo de amor que há
em mim, se tu soubesses a ternura que poderias experimentar, com certeza,
somente em mim buscarias água. Água alguma outra procurarias ter, nem provar.
Eu tenho sede e penso em ti. Eu tenho sede, sede de não mais poder me conter em
mim. Até quando terei de suportar? Até quando ficarei e entrarei em agonia para
que possas compreender que a minha sede, mais do que água, é sede de ti? E que
tu te negas a te dar. É dor que faz chorar, é ferida que se abre no peito a não
querer mais parar, de sangrar, de sofrer.
Sede eu tenho
de ti.
Por acaso,
poderias entender esse movimento que parte de meu coração, se não fosse marcado
por um amor que tem as dimensões do infinito, amor que nunca conheceste, amor
que nunca viveste, amor que poderá te resgatar, do laço do caçador te livrar;
amor santificador, purificador, redentor, amor de todo amor, amor do próprio
amor.
Eu tenho sede
de ti. Eu necessito de ti. Eu preciso de ti. A minha sede, por favor, vem
saciar. Apressa-te, não queiras te negar. Não tens muito tempo. Não há como
evitar. Acredita: somente em mim matarás a tua sede. Além de mim nada de feliz
hás de encontrar. A minha sede só tu podes saciar. A tua sede somente em mim
poderá submergir definitivamente, o que até então não conseguiste aplacar.
Vem a mim e eu
irei a ti. Mata a minha sede e eu farei com que água viva, também de teu lado,
para quantos te conhecerem, a partir de mim, possas jorrar.