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Papa João Paulo II - Bem-aventurado
O peregrino de Deus
No dia 2 de
abril de 2005, véspera do 2º Domingo da Páscoa,
o “Domingo da Divina Misericórdia”, o Papa João
Paulo II, homem de Deus e da Igreja, homem
simples do povo, entregou sua alma a Deus, após
muitos sofrimentos físicos e depois de quase 27
anos à frente da Igreja de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
O lema que o Cardeal Woytila, de Cracóvia na
Polônia, tinha escolhido era composto de duas
palavras “totus tuus”, início de um hino de
louvor e súplica a Santíssima Virgem Maria, a
quem o Papa dedicara sua vida e a consagrou.
Todo teu sou, ó Maria! Assim ele viveu e, quando
sofreu o atentado que quase o matou na Praça São
Pedro, era 13 de maio, dia de Nossa Senhora de
Fátima, a quem o Pontífice atribuiu “a mão que
desviou o projétil” para que ele não morresse.
Quantos trabalhos e viagens pelo mundo! O Papa
João Paulo II foi chamado “o Peregrino de Deus,
o Peregrino da Paz”. A muitíssimos países, povos
e nações visitou e a todos fazia ecoar as suas
primeiras palavras na homilia do início do seu
pontificado em outubro de 1978: “Abri as portas
para o Senhor!”. E ele ainda reforçava: “Abri as
portas, ou melhor, escancarai as portas para o
Senhor. Não tenhais medo de Jesus Cristo”.
João Paulo II, na sua primeira visita ao Brasil,
foi recebido com o canto: “A bênção, João de
Deus, nosso povo te abraça. Tu vens em missão de
paz. Sê bem-vindo e abençoa este povo que te
ama. A bênção João de Deus”. E a cada vez que
grupos de peregrinos ou mesmo nós, Bispos do
Brasil, em Roma, cantávamos este refrão, João
Paulo II parava e dirigia um sorriso ou um gesto
carinhoso para aquele grupo no meio de tantos
outros que o saudavam.
No ano de 2000, o ano do Grande Jubileu e do
Perdão, ele convidou a todos para entrarem no
terceiro milênio da encarnação e nascimento de
Jesus Cristo, com festas e solenidades, mas sem
deixarem de lembrar o perdão, a reconciliação
com Deus e com os irmãos. Ele mesmo foi ao
encontro dos judeus e colocou no muro do templo
em Jerusalém o pedido de perdão e reconciliação
de toda a Igreja. Convidou as religiões e
igrejas cristãs ao encontro da paz e devoção em
Assis, pondo em prática os documentos do
Concílio Vaticano II, do qual era fiel
sustentáculo e incentivador. Durante seu
pontificado convidava a todos a buscar e a viver
a santidade.
João Paulo II foi o homem da paz ao proclamar
contra os que diziam que faziam a guerra em nome
de Deus. Ele dizia “Guerra nunca mais! Eu o
proclamo em nome da humanidade”. O único que
poderia falar em nome de Deus não usurpou este
direito e preferiu falar em nome das pessoas e
dos pequeninos: “Guerras nunca mais”.
No dia do seu sepultamento, juntou-se em Roma
uma multidão de mais de quatro milhões de
pessoas vindas de todas as partes do mundo. Era
bela e inusitada a afluência de tantos jovens no
enterro do velho Papa.
Na frente da Basílica de São Pedro, junto ao
corpo de João Paulo II, os Bispos, Sacerdotes,
Religiosos e quantas autoridades de tantos
países. Ele, ainda na sua morte, trouxe para
junto de si governantes ou representantes de
países que estavam em conflitos. O Sumo
Pontífice morto ainda falava e ensinava a paz.
O povo aclamava “Santo Súbito”, isto é, que ele
seja declarado Santo já, agora. Santo
Imediatamente.
O cardeal que presidiu no dia 8 de abril de 2005
a Missa Solene de Exéquias, Joseph Ratzinger,
foi eleito o sucessor de João Paulo II com o
nome de Bento XVI, e será ele que ouviu a
aclamação do povo: “Santo Súbito”, que neste
domingo da Divina Misericórdia, 1º de maio de
2011, Dia do Trabalhador, proclamará
Bem-aventurado o Bispo da Santa Igreja, o Papa
João Paulo II.
E nós, felizes e sinceros, na verdade da nossa
fé, faremos ecoar por todo o mundo:
Bem-aventurado João Paulo II.
Rogai por nós.
Amém! Aleluia!
Dom Bruno Gamberini
Arcebispo Metropolitano de Campinas - SP

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