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Mãe de
Misericórdia
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Uma Mulher vestida de sol, a lua debaixo dos seus pés
e na cabeça uma coroa de doze estrelas" (Ap. 12,1). As vestes e a coroa de
Maria mostram que ela é Rainha do Céu e da Terra. Contudo, mesmo sendo rainha,
Maria não tem luz própria, é como a lua: apenas reflete o Sol, que é Jesus. O
rosário que lhe passa pelo pescoço indica o roteiro de nossa salvação: os
mistérios da vida de Jesus. No seio, suas mãos estão cruzadas como berço da
Eucaristia. Maria é sacrário e deu a eucaristia ao mundo. Por isso, as flores,
os ramos de trigo: a Eucaristia renova o mundo, faz nascer vida nova. O olhar
da mãe é misericordioso e acolhedor, voltado para a humanidade. A cruz,
colocada sobre a Terra, é o sinal da salvação dos homens, pois dela jorraram o
sangue e água que nos libertaram do pecado.
Grandeza e força dessa maternidade
Mãe de misericórdia é um dos maiores títulos
de Maria. Nós nos damos conta se consideramos a diferença da misericórdia, que
é uma virtude da vontade, e a piedade sensível, que não passa de uma louvável
inclinação da sensibilidade. Essa piedade sensível, que não existe em Deus, já
que é um espírito puro, nos leva a nos compadecer dos sofrimentos do próximo,
como se nós o sentíssemos em nós mesmos e de fato eles podem nos atingir.
È uma louvável inclinação, mas é
geralmente tímida, está acompanhada do temor do mal que nos ameaça também, e é
muitas vezes incapaz de trazer um socorro efetivo. Ao contrário, a misericórdia é uma virtude que se acha, não na sensibilidade, mas na vontade espiritual; e como nota santo Tomas, se a piedade sensível se encontra sobretudo entres os seres fracos e tímidos que se sentem logo ameaçados pelo mal que vêem no próximo, a virtude da misericórdia é própria dos seres fortes e bons, capazes realmente de prestar socorro. Por isso se encontra sobretudo em Deus, e como diz a oração do Missal, é uma das maiores manifestações de seu poder e de sua bondade. Santo Agostinho observa que é mais glorioso para Deus tirar o bem do mal do que criar alguma coisa do nada; é maior converter um pecador lhe dando a vida da graça, do que criar do nada todo o universo físico, o céu e a terra. Maria participa eminentemente dessa perfeição divina, e nela a misericórdia se une a piedade sensível que lhe é perfeitamente subordinada e que a torna mais acessível a nós pois só atingimos as coisas espirituais pelas coisas sensíveis.
A Santa Virgem é Mãe de misericórdia, porque é a
Mãe da divina graça. Mater divinae gratiae, e esse título lhe convém
porque é Mãe de Deus, autor da graça, Mãe do Redentor, e está associada mais
intimamente do que ninguém ao Calvário, à obra da redenção. * * * Como Mãe de misericórdia, nos lembra que se Deus é o Ser, a Verdade e a Sabedoria, é também a Bondade e o Amor, e que sua Misericórdia infinita que é a difusão de sua Bondade, deriva de seu Amor antes da justiça vingadora, que proclama os direitos imprescritíveis do Soberano Bem de ser amado acima de tudo. É o que leva o apóstolo Tiago a dizer (ep. II,13): “A misericórdia se eleva acima da justiça”. Maria nos faz compreender que a misericórdia, longe se ser contrária a justiça, como a injustiça, se une a justiça ultrapassando-a sobretudo no perdão, pois perdoar é dar acima do que é devido, perdoando uma ofensa. Percebemos então que toda obra de justiça divina supõe uma obra de misericórdia ou de bondade inteiramente gratuita. Se, com efeito, Deus deve alguma coisa a criatura, é em virtude de um dom precedente puramente gratuito; se ele deve recompensar nossos méritos, é porque, antes, ele nos deu a graça para merecer; se ele pune, é depois de nos ter dado um socorro para tornar realmente possível a realização de seus preceitos, pois ele não manda nunca o impossível.
A Santíssima Virgem nos faz compreender que Deus
por pura misericórdia nos dá muitas vezes alem do necessário do que seria de
justiça nos conceder; nos mostra que ele nos dá muitas vezes alem dos nossos
mérito, como por exemplo, a graça da comunhão que não é merecida. Ela nos faz perceber que a misericórdia se une a justiça nas penas dessa vida, que são como um remédio para nos curar, nos corrigir se nos trazer de volta para o bem. Enfim nos faz compreender que muitas vezes a misericórdia compensa as desigualdades das condições naturais pela graças concedidas, como dizem as bem-aventuranças evangélicas, aos pobres, aos que são mansos, aos que choram, aos que têm fome de justiça, aos misericordiosos, aos que têm o coração puro, aos pacíficos e aos que sofrem perseguições pela justiça.
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| Pe Airton Freire |
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